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	<title>Alimento Para Pensar</title>
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		<title>Quando não tiver mais nada&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 13:13:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sá</dc:creator>
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		<category><![CDATA[simplicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[2011 quase acabou 12 meses se passaram como se fosse 1 O cansaço físico e mental é grande A inspiração para escrever é mínima E para completar, o contrato de trabalho terminou Só me resta agradecer, cantar, e esperar a inspiração voltar. &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>2011 quase acabou</p>
<p>12 meses se passaram como se fosse 1</p>
<p>O cansaço físico e mental é grande</p>
<p>A inspiração para escrever é mínima</p>
<p>E para completar, o contrato de trabalho terminou</p>
<p>Só me resta agradecer, cantar, e esperar a inspiração voltar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/WnltBv9nCro" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>

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		<title>Absurdo: no Metrô DF, cartão unitário de R$3,00 só é válido por 3 dias!!!!</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 19:15:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Consumo]]></category>
		<category><![CDATA[Metrô]]></category>
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		<category><![CDATA[Transporte Público]]></category>

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		<description><![CDATA[Além de ser o metrô mais caro do mundo, o cartão unitário do Metrô DF, que custa R$3,00, só é válido por 3 dias! Se você comprou e não usou, não tem choro nem vela, tem que jogar fora. Mas afinal, o que são R$3,00, não? Eu uso o metrô em Brasília diariamente. Não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: right;">Além de ser o <a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/11/30/interna_cidadesdf,280771/metro-de-brasilia-e-o-mais-caro-do-mundo-mostra-pesquisa-do-idec.shtml#.TtZgvhmkP4U.facebook" target="_blank">metrô mais caro do mundo</a>, o cartão unitário do <a href="http://www.metro.df.gov.br/" target="_blank">Metrô DF</a>, que custa R$3,00, só é válido por 3 dias! Se você comprou e não usou, não tem choro nem vela, tem que jogar fora. Mas afinal, o que são R$3,00, não?</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Eu uso o metrô em Brasília diariamente. Não é fácil, nem rápido, e muito menos barato. Já ouvi dizer que o nome certo deveria ser <strong><em>Lentrô</em></strong>, e <a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/11/30/interna_cidadesdf,280771/metro-de-brasilia-e-o-mais-caro-do-mundo-mostra-pesquisa-do-idec.shtml#.TtZgvhmkP4U.facebook" target="_blank">uma pesquisa do IDEC mostra que é o metrô mais caro do mundo</a>. Mas não tem jeito, ou compro um carro (alternativa descartada), ou uso o metrô, porque onde moro não tem ônibus conveniente para o Plano Piloto.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho um cartão do metrô do antigo <a href="http://www.sba.dftrans.df.gov.br/" target="_blank">Fácil DF</a> (porque é o único que integra alguns ônibus com o metrô), e quem me acompanha no <a href="http://twitter.com/#!/roberta_sa" target="_blank">twitter</a> sabe o quanto já reclamei deste serviço, principalmente pela demora para compensar os créditos e cobrança de tarifa extra pelo boleto. Pelo menos agora não cobram mais esta tarifa, mas os créditos continuam demorando para compensar.</p>
<p style="text-align: justify;">Na segunda-feira (21/11), os créditos no meu cartão Fácil não haviam sido compensados, então comprei dois cartões unitários de R$3,00. Comprei 2 para evitar a fila no guichê na volta. Por ser cartão unitário, que não integra com o ônibus, além dos R$3,00 tive que pagar mais R$1,50 pelo ônibus que me leva à Esplanada.</p>
<p style="text-align: justify;">Só que na volta, resolvi visitar minha tia na Octogonal e tive que pegar um ônibus da década de 70 fedido, barulhento, sem iluminação interna e sem manutenção da <a href="http://onibusbrasil.com/empresas/811/Viplan+-+Via%E7%E3o+Planalto/" target="_blank">VIPLAN</a>. A parada do ônibus, embaixo da passarela da Octogonal, estava igualmente escura (um breu na verdade), e o asfalto ali é meio irregular. O motorista devia estar com pressa, para variar, e não parou perto do meio fio. Escuro dentro do ônibus, escuro na parada, escuro no chão, calculei mal a distância e torci o pé na descida do ônibus. Resultado: hospital no dia seguinte, raio-x, tala de gesso, muleta, e 5 dias sem colocar o pé no chão.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 28 quando voltei ao trabalho, lembrei do cartão unitário que comprei anteriormente e que ainda estava na minha carteira. Surpresa: meus créditos expiraram e o cartão simplesmente não vale mais. Os R$3,00 que se paga para um cartão unitário, diga-se de passagem um cartão com chip que a roleta lê, só são válidos por 3 dias.  Não me lembro de ter visto isso claramente na estação onde comprei o cartão, mas na volta para casa, indignada, encontrei este folheto na estação onde desembarco (clique nele se quiser ler), que diz claramente: “<em>A partir do dia 12 de setembro o Cartão Unitário terá validade de apenas 3 (três) dias</em>”.  E tem mais (e pior), os de final de semana só são válidos no dia da compra!!!!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://alimentoparapensar.com.br/wp-content/uploads/2011/11/folhetometrodf.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1914" title="folhetometrodf" src="http://alimentoparapensar.com.br/wp-content/uploads/2011/11/folhetometrodf-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Como assim? A tarifa não continua a mesma de uma semana para a outra? Os R$3,00 desvalorizam tanto assim em 3 dias?</p>
<p style="text-align: justify;">Este valor, R$3,00, paga <a href="http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/equipamentos/restaurantespopulares" target="_blank">3 boas refeições em um restaurante popular</a>, por exemplo, e tenho certeza que tem muita gente, muita mesmo, que não pode se dar ao luxo de jogar fora R$3,00. Além disso, os cartões, que não são de papel, são como um cartão de crédito com chip, quando válidos, são engolidos pela roleta e reutilizados. Com certeza tem um custo, e este que eu tenho aqui só tem um destino: lixo! Além de ter jogado meu dinheiro fora, vou jogar também recurso público.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sinceramente gostaria de entender qual a lógica deste prazo de validade para o cartão unitário. Será que alguém me explica? E será que nos outros metrô, os que não são os mais caros do mundo, isso também acontece?</p>
<p style="text-align: justify;">

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		<title>A Crise Alimentar Ataca Novamente</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 12:30:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alimento para Pensar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[Soberania Alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Autora: Esther Vivas &#124; CIP Americas │Tradução: Roberta Sá A ameaça de uma nova crise alimentar já é uma realidade. O preço dos alimentos começou a aumentar para níveis recorde novamente, de acordo com os dados de fevereiro de 2011 do Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que realiza uma análise mensal dos preços [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Autora: <a href="http://esthervivas.wordpress.com/portugues/" target="_blank">Esther Vivas</a> | <a href="http://www.cipamericas.org/archives/5606" target="_blank">CIP Americas</a> │Tradução: <a href="http://www.alimentoparapensar.com.br/" target="_blank">Roberta Sá</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A ameaça de uma nova crise alimentar já é uma realidade. O preço dos alimentos começou a aumentar para níveis recorde novamente, de acordo com os dados de fevereiro de 2011 do Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que realiza uma análise mensal dos preços da cesta básica de alimentos em nível global, formada por grãos, sementes oleaginosas, produtos lácteos, carne e açúcar.  O Índice chegou a um novo máximo histórico, o mais alto desde que a FAO iniciou o estudo dos preços dos alimentos em 1990. Nos últimos meses, os preços estabilizaram, mas analistas predizem mais altas nos próximos meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Este aumento no custo dos alimentos, especialmente grãos básicos, traz sérias conseqüências para os países do Sul com baixa renda e dependência da importação de alimentos, e para as milhares de famílias nestes países que dedicam entre 50 e 60% de sua renda em alimentos &#8211; um número que aumenta para 80% nos países mais pobres.  Nestes países, o aumento do preço dos produtos alimentares os torna inacessíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos nos aproximando de um bilhão de pessoas &#8211; uma a cada seis do planeta &#8211; que hoje não tem acesso à alimentação adequada. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que a crise alimentar corrente aumentou o número de pessoas que sofrem de fome crônica em 44 milhões. Em 2009, este número foi superado, chegando a 1.023 bilhões de pessoas mal-nutridas no Planeta; quantitativo que baixou ligeiramente em 2010, mas sem retornar para os níveis anteriores à crise econômica e alimentar de 2008 e 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">A crise atual acontece em um contexto de abundância de alimentos. A produção de alimentos multiplicou-se ao longo das três décadas desde os anos 60, enquanto a população meramente dobrou desde então. Temos alimentos suficientes. Contrariamente do que instituições internacionais como a FAO, o Baco Mundial e a Organização Mundial do Comércio dizem, não é um problema de produção, mas sim um problema de acesso aos alimentos. Estas organizações insistem no aumento da produção através de uma nova Revolução Verde, que somente tornaria as crises alimentar, social e ecológica, piores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rebeliões Populares</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As rebeliões populares no norte da África e Oriente Médio tiveram dentre os muitos catalisadores o aumento no preço dos alimentos. Em dezembro de 2010, na Tunísia, a porção mais pobre da população ocupou a linha de frente do conflito, demandando, dentre outras coisas, o acesso aos alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em janeiro de 2011, jovens realizaram demonstrações na Argélia, bloqueando rodovias, queimando lojas e atacando estações policiais para protestar contra o aumento dos preços dos alimentos básicos. Casos similares foram vistos na Jordânia, Sudão e Iêmen. O Egito é o maior importador de trigo do mundo, e depende da importação de alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Evidentemente outros fatores entraram em jogo nos levantes: altos índices de desemprego, falta de liberdade democrática, corrupção, falta de habitação e serviços básicos, etc. De qualquer forma, o aumento dos preços dos alimentos foi um dos catalisadores iniciais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Causa Central</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quais as causas desta nova alta no custo de nossas refeições? Apesar de instituições internacionais e especialistas terem apontado diversos elementos, tais como fenômenos metereológicos que afetaram as colheitas, o aumento da demanda em países emergentes, especulação financeira, o aumento da produção de agrocombustíveis, dentre outros &#8211; vários índices apontam para a especulação com matérias primas alimentares como uma das principais razões para o aumento nos preços dos alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2007-2008 o mundo sofreu uma profunda crise alimentar.  Os preços dos alimentos básicos, tais como trigo, soja e arroz, subiram em 130%, 87% e 74% respectivamente. Naquela época, assim como agora, diversas causas convergiram, mas as mais importantes foram a produção de agrocombustíveis e o crescimento dos investimentos especulativos nos mercados futuros de alimentos. Este aumento no preço dos alimentos estabilizou-se em 2009, em parte provavelmente devido à crise econômica e a redução na especulação financeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Na metade de 2010, com os mercados financeiros mais calmos e altas somas de recursos públicos injetados nos bancos privados, a especulação dos alimentos atacou novamente e os preços dos alimentos começaram a subir. Para &#8220;salvar os bancos&#8221;, após a crise financeira de 2008-2009, estima-se que os governos dos países mais ricos aplicaram um total de 20 trilhões de dólares para estabilizar o sistema bancário e baixar as taxas de juros.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o afluxo de dinheiro, os especuladores perceberam incentivos para adquirir novos empréstimos e comprar mercadorias que previsivelmente iriam aumentar de valor rapidamente. Os mesmos bancos, fundos de alto risco, etc. que causaram a crise hipotecária são atualmente responsáveis pela especulação das matérias primas e o aumento nos preços dos alimentos, aproveitando-se dos mercados globais não regulados de <em>commodity</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A crise alimentar está intimamente ligada à crise econômica e à lógica do sistema que promove, por exemplo, planos para socorrer a Grécia e a Irlanda sacrificando sua soberania com instituições internacionais, assim como sacrifica a soberania alimentar dos povos pelos interesses do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Garantia dos Produtores ou a Prosperidade dos Especuladores?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sempre houve alguma especulação nos preços dos alimentos e esta lógica por trás dos mercados futuros. Na forma atual, os mercados futuros datam da metade de 1900, quando foram iniciados nos Estados Unidos. São acordos legais padronizados para comprar e vender mercadorias físicas em um período de tempo previamente estabelecido no futuro e tem sido o mecanismo de garantia de preço mínimo para o produtor que enfrenta oscilações do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Funciona assim: Produtores vendem sua produção aos comerciantes antes da colheita para se protegerem das incertezas no clima, por exemplo, e para garantir um preço futuro. O comerciante também se beneficia. Quando a colheita é ruim, o produtor ainda recebe uma boa renda e quando a colheita é ótima, o comerciante se beneficia ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Este mesmo mecanismo é usado pelos especuladores para fazer dinheiro a partir da não regulamentação dos mercados de matérias primas, que foi estimulado na metade dos anos 90 nos Estados Unidos e Grã-Bretanha pelos bancos, políticos do livre mercado e fundos de alto risco, no contexto do processo de liberalização da economia mundial. Os contratos para comprar e vender alimentos se tornaram &#8220;derivativos&#8221; que poderiam ser negociados independentemente das transações agrícolas reais. Um novo negócio nasceu &#8211; a especulação dos alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje os especuladores têm mais peso nos mercados futuros, apesar destas transações não terem nada a ver com a oferta e procura real. Mike Masters, gerente da <em>Masters Capital Management</em>, aponta que em 1998 os investimentos financeiros especulativos nos setores agrícolas foram em torno de 25%, e hoje em dia está em torno de 75%.  Estas transações são realizadas nos mercados, sendo o Mercado de <em>Commodities</em> de Chicago o mais importante deles no nível mundial, enquanto na Europa alimentos e matérias primas são negociadas nos mercados futuros de Londres, Paris, Amsterdam e Frankfurt.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um &#8220;Depósito 100% Natural&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2006/2007, após a queda nos mercados de empréstimos hipotecários nos Estados Unidos, investidores institucionais como bancos, empresas de seguros e fundos de investimento buscaram locais mais seguros e rentáveis para investir seus recursos financeiros. Alimentos e matérias primas se tornaram uma alternativa popular. Com os preços dos alimentos subindo, investimentos nos mercados de futuro em alimentos aumentaram, empurrando os preços dos grãos para cima e piorando a inflação dos preços dos alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Alemanha, o <em>Deutsche Bank</em> anunciou ganhos fáceis com os investimentos nos produtos agrícolas em ascensão. E oportunidades de negócios similares foram promovidas pelo principal banco europeu, o <em>PNP Paribas</em>. Em janeiro de 2011 o <em>Catalunya Caixa</em> estimulou seus clientes a investirm em matérias primas sob o slogan &#8220;depósito 100% natural&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">O que eles ofereceram? A garantia de 100% do capital, com a possibilidade de obter lucros acima de 7% ao ano. Como? De acordo com os anúncios, tendo como base a &#8220;evolução dos rendimentos em três produtos alimentares: açúcar, café e milho&#8221;. Para assegurar tais altos rendimentos, os anúncios apontam que os preços destes três produtos aumentaram em 61%, 34% e 38% respectivamente ao longo dos últimos meses devido à &#8220;demanda crescente que está aumentando acima da taxa de produção&#8221;, por causa do aumento da população mundial, e produção de agrocombustíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, o <em>Catalunya Caixa</em> deixou de fora uma importante informação: a especulação de alimentos que causou estes belos lucros aumenta o preço dos alimentos, torna-os inacessíveis para grande parte da população no Sul Global e condena milhares de pessoas à fome, pobreza e morte nestes países.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dependência no Petróleo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outro elemento que exacerbou a crise alimentar é a dependência pesada em petróleo do modelo atual de produção e distribuição de alimentos. O aumento no preço do petróleo tem impacto direto no aumento similar do custo dos alimentos básicos. Em 2007 e 2008 o preço do petróleo e o preço dos alimentos atingiram níveis recordes. Entre julho de 2007 e junho de 2008, o petróleo bruto passou de 75 dólares o barril para 140 dólares, enquanto o preço da cesta de alimentos básicos passou de 160 dólares para 225, de acordo com o Índice de Preço dos Alimentos da FAO.</p>
<p style="text-align: justify;">Alimentos e agricultura se tornaram profundamente dependentes do petróleo. Após a Segunda Guerra Mundial e com a Revolução Verde nos anos 60 e 70, e com o suposto aumento na produção, um modelo intensivo e industrial de agricultura foi adotado. No sistema atual, nosso alimento viaja milhares de quilômetros antes de chegar às nossas mesas; a produção requer o uso intensivo de maquinários, pesticidas químicos, herbicidas e fertilizantes. Este modelo não poderia existir sem o petróleo.</p>
<p style="text-align: justify;">O aumento do preço do petróleo e a estratégia dos governos para combater as mudanças climáticas conduziram a um aumento nos investimentos na produção de combustíveis alternativos, agrocombustíveis como o biodiesel e o bioetanol, produzido a partir do açúcar, milho e outros cultivos. Mas esta produção entrou em competição direta com a produção de alimentos para o consumo e agora se tornou outra causa para o aumento dos preços dos alimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Banco Mundial reconhece que quando o preço do petróleo aumenta acima de 50 dólares o barril, 1% de aumento causa 0.9% de aumento no preço do milho, já que &#8220;para cada dólar de aumento no preço do petróleo a rentabilidade do etanol aumenta e conseqüentemente a demanda de milho cresce&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2004, dois terços do aumento da produção mundial de milho foram destinados para satisfazer a demanda norte-americana de agrocombustíveis. Em 2010, 35% do milho colhido nos Estados Unidos, que representa 14% da produção mundial, foi usado para produzir etanol. E a tendência é de crescimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas além das causas como a especulação dos alimentos e o aumento do preço do petróleo, que tem um impacto no crescimento dos investimentos em agrocombustíveis, liderando a competição entre a produção de grãos para o consumo e para transporte, o sistema alimentar e agrícola é profundamente vulnerável e está nas mãos do mercado. A crescente liberalização do setor nas últimas décadas, a privatização dos recursos naturais (água, terra, sementes), a imposição de modelo internacional de mercado servindo aos interesses privados, etc., nos levou à crise atual.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto a agricultura e o alimento continuarem sendo considerados mercadorias nas mãos de “quem paga mais”, e interesses comerciais prevalecerem sobre as necessidades alimentares e os limites do Planeta, nossa segurança alimentar e o bem estar da Terra estão longe de serem assegurados.</p>
<p style="text-align: justify;">________________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: justify;">*<a href="http://esthervivas.wordpress.com/portugues/" target="_blank">Esther Vivas</a> é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais (<a href="http://www.upf.edu/moviments/es/" target="_blank"><em>Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales</em></a>) da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona). Ela é a autora de &#8220;Em Pé Contra a Dívida Externa&#8221; (<em>En pie contra la deuda externa</em> &#8211; El Viejo Topo, 2008) dentre outras publicações, e contribui no Programa CIP Américas (<a href="http://www.cipamericas.org" target="_blank">www.cipamericas.org</a>).</p>

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		<title>4a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional</title>
		<link>http://alimentoparapensar.com.br/2011/11/03/4a-conferencia-nacional-de-seguranca-alimentar-e-nutricional/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 10:30:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sá</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Conferência]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Alimentar]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é a razão da falta de atividades no Alimento para Pensar nas últimas semanas. Acompanhe as notícias no site da Conferência e do Consea Nacional, ou no twitter. Fui!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta é a razão da falta de atividades no <a href="http://www.alimentoparapensar.com.br">Alimento para Pensar</a> nas últimas semanas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www4.planalto.gov.br/consea/conferencia/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-1870" title="4a CNSAN" src="http://alimentoparapensar.com.br/wp-content/uploads/2011/11/HOMEfb.gif" alt="" width="400" height="634" /></a></p>
<p>Acompanhe as notícias no site da <a href="http://www4.planalto.gov.br/consea/conferencia/" target="_blank">Conferência</a> e do <a href="http://www4.planalto.gov.br/consea" target="_blank">Consea Nacional</a>, ou no <a href="http://twitter.com/#%21/roberta_sa" target="_blank">twitter</a>.</p>
<p>Fui!</p>

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		<title>Comida Boa que Encontro por Aí</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 21:56:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[#BAD11]]></category>
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		<category><![CDATA[ecogastronomia]]></category>
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		<category><![CDATA[Segurança Alimentar]]></category>

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		<description><![CDATA[O tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano é “Preço dos Alimentos – da Crise à Estabilidade”, e ao longo do dia muito foi escrito, discutido e compartilhado sobre este tema. Trabalhando intensamente nas ultimas semanas, não consegui parar para escrever e participar do Blog Action Day como havia programado. Então hoje publiquei um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano é “<a href="https://www.fao.org.br/DMA2011a.asp" target="_blank">Preço dos Alimentos – da Crise à Estabilidade</a>”, e ao longo do dia muito foi escrito, discutido e compartilhado sobre este tema.</p>
<p style="text-align: justify;">Trabalhando intensamente nas ultimas semanas, não consegui parar para escrever e participar do <a href="http://blogactionday.org" target="_blank">Blog Action Day</a> como havia programado. Então hoje <a href="http://alimentoparapensar.com.br/2011/10/16/bad11-dia-mundial-da-alimentacao-%e2%80%9cprecos-dos-alimentos-da-crise-a-estabilidade%e2%80%9d/" target="_blank">publiquei um ótimo texto do Irio Conti</a>, e fui tentar buscar inspiração revendo fotos, novas e antigas. As palavras não vieram, só veio a vontade de voltar por todos os lugares, e provar novamente estas delícias, a maioria delas muito simples, boas, limpas e justas:</p>
</p>
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		<title>Dia Mundial da Alimentação: “Preços dos alimentos, da crise à estabilidade”</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 13:30:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alimento para Pensar</dc:creator>
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		<category><![CDATA[#BAD11]]></category>
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		<description><![CDATA[Texto: Irio Luiz Conti e Evandro Pontel Fonte: Ascom/Consea A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), desde 1979, comemora no dia 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação, que coincide com a data da fundação desta instituição no ano de 1945. O tema deste ano – &#8220;Preço dos Alimentos – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[</p>
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<p style="text-align: right;"><strong>Texto:</strong> Irio Luiz Conti e Evandro Pontel</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte:</strong> <a href="http://www4.planalto.gov.br/consea" target="_blank">Ascom/Consea</a></p>
<p style="text-align: justify;">A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (<a href="http://www.fao.org/" target="_blank">FAO</a>), desde 1979, comemora no dia 16 de outubro, o <a href="http://www.fao.org/getinvolved/worldfoodday/en/" target="_blank">Dia Mundial da Alimentação</a>, que coincide com a data da fundação desta instituição no ano de 1945. O tema deste ano – &#8220;Preço dos Alimentos – da crise à estabilidade&#8221; – visa sensibilizar a sociedade e os governos para a promoção da cooperação e da solidariedade na luta contra a fome, a desnutrição e a pobreza no mundo. O tema aponta para uma questão essencial: o aumento drástico dos preços dos alimentos traz graves ameaças à segurança alimentar e nutricional, especialmente nos países em desenvolvimento, vitimando, sobretudo, a população pobre.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o Banco Mundial, entre 2010 e 2011, o aumento dos preços de alimentos levou cerca de 70 milhões de pessoas à pobreza extrema, mantendo ao redor de 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo. Na Somália, por exemplo, a metade dos 7,5 milhões de habitantes passam fome e diariamente muitos deles morrem de fome. “Preços dos alimentos: da crise à estabilidade” foi escolhido como o tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano para lançar luz e provocar a reflexão sobre as causas da volatilidade dos preços e a importância da adoção de medidas estruturais que alterem esta situação, que traz mais vulnerabilidade ao invés de estabilidade ao sistema alimentar global.</p>
<p style="text-align: justify;">A insegurança alimentar e nutricional não resulta apenas da desnutrição por escassez ou falta de alimentos. Há também um aumento de várias doenças decorrentes de produtos tóxicos e agrotóxicos em alimentos consumidos no cotidiano, além das altas taxas de sobrepeso e obesidade que preocupam e requerem medidas consistentes de reversão a curto e médio prazos. Os indicadores mostram que no mundo convive um número crescente de vítimas de ambas as formas de insegurança alimentar e nutricional. Isso tem estreita relação com o modelo de produção agrícola, baseado no agronegócio, que concentra terra, renda, tecnologias, insumos, patentes das sementes e medicamentos. Ou seja, as cinco ou seis principais empresas multinacionais que produzem e controlam as sementes transgênicas, os agrotóxicos e agroquímicos nocivos à saúde humana são as mesmas que controlam a indústria de medicamentos para “curar” os efeitos de seus danos, alimentando este círculo vicioso.</p>
<p style="text-align: justify;">As flutuações dos preços são uma característica dos mercados agrícolas que funcionam baseados em sua própria lógica, sob o imperativo do capital e do lucro. Quando estes são ampliados, tornam-se imprevisíveis voláteis e controlados pelas bolsas de mercadorias – adquirem um efeito negativo para a segurança alimentar e nutricional de agricultores produtores e consumidores de nações inteiras. Os alimentos deixam de cumprir sua função primordial – que é de alimentar gente – e tornam-se simples mercadorias ou commodities para serem especulados nas bolsas de valores. Desde 2007, os mercados globais sofreram constantes oscilações nos preços dos alimentos básicos. No verão de 2008 eles atingiram níveis não observados desde há 30 anos, seguidos de uma leve queda e de crescimento nos próximos meses. Entre 2010 e 2011, em alguns países o aumento dos preços atingiu, em média 33%. Atualmente, na média, os preços dos alimentos permanecem elevados e a volatilidade tende a continuar, especialmente porque a maior parte dos países em desenvolvimento não possuem sistemas públicos e mecanismos de regulação de preços, nem políticas fortes de estímulo à produção e ao abastecimento alimentar para enfrentar as oscilações do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">O mundo vive atualmente sob a pressão e a confluência das crises econômica, alimentar, climática e energética. Estas crises requerem discussões que apontem soluções articuladas entre si, com alternativas de soberania e segurança alimentar e nutricional que respeitem a realidade e as especificidades de cada povo e região. Neste contexto inserem-se os observatórios, fóruns e redes locais, nacionais e internacionais em torno de iniciativas que denunciam as distorções do sistema alimentar e pressionam os Estados a adotarem medidas internas, mas também de cooperação internacional que visem soluções locais e mundiais de garantia dos direitos, especialmente do direito humano à alimentação.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, aproveitemos a semana e o Dia Mundial da Alimentação para refletir em nossas casas, ambientes de trabalho, círculos de relações e organizações para estimular debates proativos sobre a importância de fazermos a nossa parte nas mobilizações e lutas locais e mundiais pela efetivação do direito humano à alimentação adequada e saudável como um direito humano e um requisito fundamental para viver com dignidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>________________________________________________</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Írio Conti</strong> é Mestre em Sociologia, conselheiro dos <a href="http://www4.planalto.gov.br/consea" target="_blank">Consea Nacional</a> e Estadual (Rio Grande do Sul) e presidente da <a href="http://www.fian.org/about-us/who-we-are" target="_blank">Fian International</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong> Evandro Pontel</strong> é Graduado em Filosofia e Teologia; ambos são professores da Rede Integrada de Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional/Universidade Federal do Rio Grande do Sul.</em></p>

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		<title>Avançando no Cooperativismo Agroecológico</title>
		<link>http://alimentoparapensar.com.br/2011/10/09/avancando-no-cooperativismo-agroecologico/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Oct 2011 14:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alimento para Pensar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[Agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
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		<category><![CDATA[Segurança Alimentar]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto: Esther Vivas [1] Versão original: Avanzando em um cooperativismo agroecologico Tradução: Roberta Sá Frente a um modelo de consumo e produção agrícola capitalista, que nos conduz a uma crise alimentar, climática e do campo sem precedentes, surgem outras práticas desde baixo, e da esquerda, na produção agrícola, na distribuição e no consumo. Trata-se de [...]]]></description>
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<p style="text-align: right;">Texto: <a href="http://esthervivas.wordpress.com/" target="_blank">Esther Vivas</a> [1]<br />
Versão original: <a href="http://esthervivas.wordpress.com/2011/07/19/avanzando-en-un-cooperativismo-agroecologico/" target="_blank">Avanzando em um cooperativismo agroecologico</a><br />
Tradução: <a href="http://alimentoparapensar.com.br/sobre/" target="_blank">Roberta Sá</a></p>
<p style="text-align: justify;">Frente a um modelo de consumo e produção agrícola capitalista, que nos conduz a uma crise alimentar, climática e do campo sem precedentes, surgem outras práticas desde baixo, e da esquerda, na produção agrícola, na distribuição e no consumo. Trata-se de experiências que buscam estabelecer uma relação direta entre o produtor e o consumidor, a partir de relações solidárias, de confiança, cooperativas, locais, aumentando as alternativas viáveis ao sistema atual.</p>
<p style="text-align: justify;">O número destas iniciativas tem se multiplicado de forma exponencial nos últimos tempos em todo o mundo. Em muitos países da América Latina, Europa, Ásia, América do Norte…encontramos cada vez mais iniciativas que põem em contato cooperativas de produtores com grupos de consumidores, que organizam modelos alternativos de distribuição de alimentos, que apostam em “outro consumo”, que estabelecem relações diretas e solidárias entre o campo e a cidade ou que reconvertem terrenos abandonados das grandes cidades em hortas urbanas para o auto-consumo e/ou a distribuição local.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos países do Sul, o abandono do campo ao longo das últimas décadas, como resultado das políticas neoliberais, intensificou a migração campo-cidade, provocando um processo de “descamponesação”<sup>2</sup>. Nas ultimas décadas esta dinâmica, em muitos países, não tomou a forma de um processo clássico, onde os ex-camponeses iam para as cidades para trabalhar em fábricas e no processo de industrialização.  Produziu o que Davis<sup>3</sup> chama uma “urbanização desconectada da industrialização”, onde os ex-camponeses empurrados para as cidades passaram a engrossar as periferias, muitos vivendo da economia informal e configurando um “proletariado informal”. No Brasil, por exemplo, a população vivendo em grandes cidades passou de 31% em 1940 para 81% na atualidade<sup>4</sup>. Estes processos explicariam a criação de novos mecanismos de produção e distribuição de comida nas metrópoles do Sul Global frente ao abandono do campo.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante da atual crise no modelo agroalimentar, vários estudos demonstram como a produção camponesa de pequena escala é altamente produtiva e capaz de alimentar a população mundial. A pesquisa realizada em 2007 pela Universidade de Michigan<sup>5</sup>, que comparou a produção agrícola convencional com a agroecológica, deixou isso bem claro. Suas conclusões, apontaram, considerando as estimativas mais conservadoras, que a agricultura orgânica poderia fornecer no mínimo tanto alimento quanto se produz atualmente, apesar de que seus pesquisadores consideraram como estimativa mais realista que a agricultura ecológica poderia aumentar a produção global de alimentos em 50%.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Algumas Experiências</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Desta forma, surgem experiências que demonstram que outra maneira de trabalhar a terra, produzir alimentos e comercializá-los é possível. Cada um destes modelos se adapta às necessidades de seus membros e seu entorno. As iniciativas que existem no Brasil, por exemplo, são distintas de outras realizadas na França, e estas diferentes das que se realizam nos Estados Unidos. Entretanto, apesar das diferenças, existe um denominador comum: solidariedade produtor-consumidor, cooperativismo e auto-organização.</p>
<p style="text-align: justify;"> No Brasil existem atualmente 22 mil empreendimentos econômicos solidários, que incorporam as pessoas excluídas do mercado de trabalho, sendo que 48% deles se encontram no âmbito rural e são formados por associações de pequenos produtores. Atualmente, estes grupos são formados por mais de um milhão e setecentas mil pessoas que fazem parte do movimento da economia solidária<sup>6</sup>, inserindo-se, em parte, no conjunto das alternativas ao atual modelo de produção, distribuição, comércio e consumo.</p>
<p style="text-align: justify;"> Em Cuba, as hortas agroecológicas urbanas representam uma das experiências de produção agrícola mais exitosas. Um modelo que se iniciou como resposta a crise agrícola que a Ilha vivia nos anos 90, depois do afundamento da União Soviética, quando esta tinha que importar 50% dos alimentos necessários para seu consumo, como conseqüência de um modelo agrícola que havia convertido o pais em exportador de mercadorias de luxo e importador de alimentos para seus habitantes. O plano de choque de princípios dos anos 90, que consistia em transformar em agricultura urbana (plantando na cidade, além do campo, e reduzindo o uso de transporte, de refrigeração e outros recursos) teve mais êxito que o previsto. Ao final dos anos 90 existiam em Havana mais de 8 mil granjas e hortas urbanas, onde trabalhavam cerca de 30 mil pessoas. Um modelo que se multiplicou por toda a Ilha com o aumento da produção entre 250 e 350%<sup>7</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na França se desenvolveram redes de solidariedade entre produtores e consumidores através das AMAP (Associação para a Manutenção da Agricultura Camponesa). Uma experiência que parte de um “contrato solidário” entre um grupo de consumidores e um agricultor agroecológico local, sendo que os primeiros pagam adiantado o total de seu consumo por um período determinado e o agricultor lhes fornece semanalmente os produtos de sua horta. Desde a criação da primeira AMAP, em 2001, estas se multiplicaram por todo o pais, chegando a 750 AMAP, administradas por 30 mil famílias<sup>8</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outros países da Europa, experiências como as das AMAP remontam os anos 60, quando a Alemanha, a Áustria e Suíça começaram a desenvolver iniciativas similares como resposta à crescente industrialização da agricultura. Na Grã Bretanha estas iniciativas começaram a funcionar nos anos 90 com o nome de CSA (Agricultura Apoiada pela Comunidade), ou <em>Vegetable Box Scheme</em> (esquema de caixas de vegetais) e no início de 2007 haviam cerca de 600 iniciativas deste tipo<sup>9</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">No Estado Espanhol, os primeiros grupos de consumo surgiram no final dos anos 80 e princípio dos anos 90, mas somente tiveram um crescimento importante em meados dos anos 2000. Em cifras totais, se trata de experiências que somam um número reduzido de pessoas, mas sua tendência é de aumento, mostrando uma crescente preocupação pelo atual modelo agroalimentar e a vontade de realizar um consumo que seja solidário com o campo, com critérios sociais e ambientais.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de compartilhar critérios comuns, observa-se uma grande variedade de modelos organizacionais, de relação com os agricultores, de formato de compra, etc. Alguns são integrados por consumidores e produtores, e outros somente formados por consumidores. Há alguns modelos que o consumidor pode escolher os produtos da época que deseja, e outros que ele recebe a cada semana uma cesta fechada com frutas e verduras da horta. A maior parte das experiências funcionam a partir do trabalho voluntário de seus membros, embora haja algumas iniciativas profissionalizadas que incluem também a venda em loja.</p>
<p style="text-align: justify;">A multiplicação destas experiências levanta uma série de oportunidades para desenvolver outro modelo de consumo desde o local, recuperando nosso direito de decidir sobre como, quando e quem produz aquilo que comemos. Os desafios são como chegar a mais gente; tornar as experiências viáveis; manter os princípios de ruptura com o modelo agroindustrial atual; seguir vinculadas a uma produção e consumo locais; e combater as tentativas de cooptação e marketing verde.</p>
<p style="text-align: justify;">As cooperativas e os grupos de consumo devem aliar-se com outros atores sociais (agricultores, trabalhadores, mulheres, ecologistas, pescadores&#8230;) para mudar o modelo agroalimentar; mas também devem ir além e participar em espaços amplos de ação e debate, para conseguir uma mudança de paradigma global. Estas iniciativas não devem ficar somente no discurso de alternativa concreta, de pequena escala, senão inserir-se dentro de uma estratégia geral de transformação social.</p>
<p style="text-align: justify;">A lógica capitalista que impera no modelo agrícola e alimentar atual é a mesma que afeta outros âmbitos de nossas vidas. Mudar este sistema agroalimentar implica em mudança radical de paradigma, e a crise múltipla do capitalismo que estamos imersos mostra isso claramente.</p>
<p style="text-align: justify;">____________________________________</p>
<p style="text-align: justify;">[1] Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais (CEMS) da Universidade Pompeu Fabra e co-autora de <em>Del campo al plato</em>. Barcelona: Icaria ed., 2009; <em>Supermercados, no gracias</em>. Barcelona: Icaria ed., 2007; <em>¿Adónde va el comercio justo?</em> Barcelona: Icaria ed., 2006, entre otros. Mais informações: <a href="http://www.esthervivas.wordpress.com/">http://www.esthervivas.wordpress.com</a></p>
<p style="text-align: justify;">2 Bello, W (2009). <em>The Food Wars. </em>Londres. Verso.</p>
<p style="text-align: justify;">3 Davis, M. (2006) <em>Planet of slums</em>. Londres. Verso.</p>
<p style="text-align: justify;">4 Marques, P. (2009) <em>La dimensión sociopolítica del movimiento de la Economía Solidaria en Brasil: Un estudio del Foro Brasileño de Economía Solidaria</em>, Universidad de Granada.</p>
<p style="text-align: justify;">5 Chappell, M.J. (2007) <em>Shattering myths: Can sustainable agriculture feed the world?</em> en: <a href="http://www.foodfirst.org/node/1778">http://www.foodfirst.org/node/1778</a></p>
<p style="text-align: justify;">6 Ibid.</p>
<p style="text-align: justify;">7 Murphy, C. (2000) <em>Cultivating Havana: Urban agriculture and food security in the years of crisis</em> en: <a href="http://www.foodfirst.org/pubs/devreps/dr12.pdf">http://www.foodfirst.org/pubs/devreps/dr12.pdf</a></p>
<p style="text-align: justify;">8 Para mais informações sobre as AMAP ver: López García, D. (2006) <em>AMAPs: contratos locales entre agricultores y consumidores en Francia</em> en: <a href="http://bah.ourproject.org/article.php3?id_article=86">http://bah.ourproject.org/article.php3?id_article=86</a></p>
<p style="text-align: justify;">9 Para obter mais informações sobre estas experiências na Grã Bretaha ver: Soil Association, (2005) <em>Cultivating communities farming at your fingertips</em> en: <a href="http://www.soilassociation.org/">http://www.soilassociation.org</a></p>

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		<title>Agrotóxicos – Entenda e Defenda-se</title>
		<link>http://alimentoparapensar.com.br/2011/10/02/agrotoxicos-%e2%80%93-entenda-e-defenda-se/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 17:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Agrotóxicos]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança Alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente estive no Espírito Santo, acompanhando a Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, e de tudo que foi discutido lá um ponto chamou maior atenção: agrotóxicos. De acordo com vários palestrantes e participantes, o estado do Espírito Santo é o maior consumidor de agrotóxicos do Brasil. Não consegui confirmar os dados, por absoluta falta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Recentemente estive no Espírito Santo, acompanhando a <a href="http://www4.planalto.gov.br/consea/noticias/noticias/2011/09/espirito-santo-realiza-sua-4a-conferencia-estadual" target="_blank">Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional</a>, e de tudo que foi discutido lá um ponto chamou maior atenção: <strong>agrotóxicos</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com vários palestrantes e participantes, o estado do Espírito Santo é o maior consumidor de agrotóxicos do Brasil. Não consegui confirmar os dados, por absoluta falta de tempo, mas isso não importa. <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/os-perigos-dos-agrotoxicos-no-brasil" target="_blank">Se o Brasil é hoje o primeiro colocado no ranking mundial de consumo de agrotóxicos</a>, algum estado brasileiro deve estar liderando o ranking interno, certo?</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das delegadas da Conferência, conselheira do Consea Estadual, foi contaminada há dois meses por agrotóxicos ao voltar de uma Conferência Municipal de SAN. Ela e mais duas pessoas estavam dentro do carro, que foi atingido por agrotóxicos na pulverização aérea. O veneno entrou pelo ar condicionado e contaminou principalmente quem estava no banco de trás. Ela sofreu queimaduras, teve vômitos e tontura, perdeu parte dos cabelos e tem a cabeça toda cheia de feridas. O que será que ocorre com as pessoas que moram ali e tem que conviver com isso regularmente?</p>
<p style="text-align: justify;">A pulverização aérea de agrotóxicos está em discussão (<a href="http://www.sinpaf.org.br/modules/smartsection/item.php?itemid=558" target="_blank">veja notícia de debate na Câmara dos Deputados no dia 22/09</a>). Mas de discussão em discussão (e pouca ação) as pessoas e todo o meio-ambiente vão sendo contaminados, com seqüelas que podem durar a vida toda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para saber mais e se defender</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Esta semana houve o lançamento do livro <a href="http://aspta.org.br/2011/09/lancamento-do-livro-agrotoxicos-no-brasil-um-guia-para-acao-em-defesa-da-vida/" target="_blank">“Agrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida”</a>, de autoria de Flavia Londres, é uma promoção da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA). <a href="http://aspta.org.br/2011/09/lancamento-do-livro-agrotoxicos-no-brasil-um-guia-para-acao-em-defesa-da-vida/agrotoxicos-no-brasil-mobile/" target="_blank">O livro está disponível gratuitamente no site da AS-PTA</a>.</li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
<li>O <a href="http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/anvisa/home/agrotoxicotoxicologia/!ut/p/c5/rZDLeqJAEIWfxQeIfaFpYNlya1CaEQgCGz5UoohcjA4dffpxZjeLJJucWtY59dd3QAGe01dTc6huzdBXZ5CBgpamyzjRVhBCujCh56qCqusQugoFG5BBUsan--g92kd0ghLeXiVKtrYMLEfEjxAH9h0FdodutsRBwuT19Y6F5d2hbqDUWdvP20Qr4OzJyj9lwRB_-0nxheNf_u8efiIGv8kjIPjQ1SAHhVamLtb50kUwXGILerZY-yzgUKQEJD_YyP8s19cWT1bCnRA6SpwqP8ryQdFsu7ncdXM411Wk6wZVDIOqBqUK2KQ5_rCunrTsqPQjrItRK4K-sBrPvR-T_HIel6Q5o6ocKWw8flPqHj6mCr_R99CHFtunaFtfIkxYTMbi4OxMorNBraet1jPrKNFopcqhzJEgLMtoVPNf3XDSXrzOzKrY_F3Hl-skOMuHpcqPkTqcxg-vnTZ4KBd7kWaH9mCEUV03rfHyjhTcxsm1ZmeTlP6-hF2yK5wY25iJVhW65OSyMnowdtOKRlwiHemSzWZ_AAk1soo!/dl3/d3/L2dBISEvZ0FBIS9nQSEh/?pcid=a59e5d8045ff381e84e99c40049c9226" target="_blank">Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos</a> (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (<a href="http://www.anvisa.gov.br/" target="_blank">Anvisa</a>) redigiu uma nota técnica sobre o risco do consumo de frutas e hortaliças cultivadas com agrotóxicos, que está <a href="http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/d0c9f980474575dd83f3d73fbc4c6735/nota+tecnica+risco+consumo+frutas+e+hortalicas.pdf?MOD=AJPERES" target="_blank">disponível em  formato pdf</a>.</li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Interessante também é <a href="http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/c4bdf280474591ae99b1dd3fbc4c6735/estudo_monitoramento.pdf?MOD=AJPERES" target="_blank">esta apresentação que está no site da ANVISA</a>, que mostra o monitoramento do mercado de agrotóxicos no Brasil e no Mundo. Os slides que mostram as fusões das empresas são de arrepiar (veja o slide 18 como resumo).</li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
<li>O documentário <strong>“O Veneno Está na Mesa”</strong> <a href="http://contraagrotoxicosdf.wordpress.com/2011/09/28/silvio-tendler-apresenta-documentario-sobre-agrotoxicos-na-semana-universitaria-da-unb/" target="_blank">será apresentado na Semana Universitária da UnB no dia 04 de outubro</a>, com a presença do documentarista Silvio Tendler. O filme está <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KxY8Vxzfb-4" target="_blank">disponível na internet</a> para quem quiser assistir e divulgar.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">_________________</p>
<p style="text-align: justify;">A imagem em destaque é da <a href="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI150920-17770,00-ENTENDA+POR+QUE+O+BRASIL+E+O+MAIOR+CONSUMIDOR+DE+AGROTOXICOS+DO+MUNDO.html" target="_blank">Revista Galileu</a></p>

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		<title>Mulheres de Milho</title>
		<link>http://alimentoparapensar.com.br/2011/09/24/mulheres-de-milho/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 16:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alimento para Pensar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Soberania Alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto: Esther Vivas Versão original: Women of Corn Tradução: Roberta Sá Nos países do Sul do Mundo, as mulheres são as principais produtoras de alimentos, responsáveis por trabalhar a terra, salvaguardar as sementes, coletar frutas, obter água. Entre 60 a 80% da produção de alimentos nesses países é feita pelas mulheres, e mundialmente em torno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://alimentoparapensar.com.br/2011/09/24/mulheres-de-milho/mulheresdemilho/" rel="attachment wp-att-1734"><br />
</a><a href="http://alimentoparapensar.com.br/2011/09/24/mulheres-de-milho/mulheresdemilho/" rel="attachment wp-att-1734"><br />
</a></p>
<p style="text-align: right;">Texto: <a href="http://esthervivas.wordpress.com/" target="_blank">Esther Vivas</a><br />
Versão original: <a href="http://esthervivas.wordpress.com/english/women-of-corn/" target="_blank">Women of Corn</a><br />
Tradução: <a href="http://alimentoparapensar.com.br/sobre/" target="_blank">Roberta Sá</a></p>
<p style="text-align: justify;">Nos países do Sul do Mundo, as mulheres são as principais produtoras de alimentos, responsáveis por trabalhar a terra, salvaguardar as sementes, coletar frutas, obter água. Entre 60 a 80% da produção de alimentos nesses países é feita pelas mulheres, e mundialmente em torno de 50%. Essas mulheres são as principais produtoras de culturas básicas, como o arroz, o trigo e o milho, que irão alimentar a maior parte da população empobrecida do Sul. Mas apesar de seu papel chave na agricultura e na provisão de alimentos, elas são, juntamente com as crianças, as pessoas mais afetadas pela fome.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante séculos mulheres rurais tem sido responsáveis pelas tarefas domésticas, cuidado com as pessoas, alimentação das famílias, e o cultivo e venda do excedente de suas hortas e lavouras, e tem carregado a carga da reprodução e do trabalho comunitário e produtivo, em um domínio privado e invisível. Em contraste, as principais transações econômicas da agricultura, a venda de animais e a compra e venda, em grandes quantidades, de cereais no mercado, tem sido realizadas por homens &#8230; ocupando assim o domínio publico do meio rural.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta divisão de papéis atribui às mulheres o cuidado do lar, da saúde, da educação e das famílias, e atribui aos homens o gerenciamento da terra e maquinário e mais significativamente o conhecimento, perpetuando assim os papéis alocados como masculinos e femininos que persistem por séculos até hoje em nossas sociedades.</p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante, em muitas regiões do Sul Global, na América Latina, na África sub-Sahariana e no sul da Ásia, há uma evidente “feminização” do trabalho agrícola remunerado. Entre 1994 e 2000, mulheres ocuparam 83% dos novos empregos criados no setor agrícola não-tradicional de exportação. Mas esta tendência inclui uma divisão marcada de gênero: nas plantações, as mulheres executam tarefas não qualificadas, como coleta e acondicionamento, enquanto os homens realizam a colheita e o plantio.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta incorporação das mulheres no ambiente de trabalho remunerado implica em uma carga dupla para elas, que continuam responsáveis pelo cuidado de suas famílias enquanto trabalham para obter renda de um emprego que, para a maior parte, é precário. Elas podem esperar piores condições de trabalho e salários mais baixos para as mesmas atividades que seus colegas trabalhadores do sexo masculino, tendo com isso que trabalhar mais tempo para receber o mesmo valor.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra dificuldade é o acesso à terra. Em muitos países do Sul, as leis negam às mulheres este direito, e em outros, que a posse da terra é legalmente concedida, as tradições e costumes as impedem. Entretanto, este problema não ocorre somente no Sul Global. Na Europa, muitas agricultoras não tem seus direitos reconhecidos, e apesar de trabalharem na terra como os seus pares do sexo masculino, a propriedade da terra e o pagamento de seguridade social são usualmente comandados pelos homens. Conseqüentemente, estas mulheres, quando aposentadas, não podem contar com qualquer pensão, ou receber assistência social ou pagamentos, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">A degradação das terras agrícolas nestes países do Sul e o aumento da migração para as cidades, provocou um processo de desintegração agrária. Mulheres são componentes essenciais nesta migração nacional e internacional, gerando a ruptura e o abandono das famílias, terra, e processos de produção, ao mesmo tempo que aumentando a carga familiar e comunitária das mulheres que ficam. Na Europa, nos Estados Unidos, Canadá&#8230; mulheres migrantes acabam conseguindo empregos que há anos atrás eram preenchidos pela população local, reproduzindo o ciclo de opressão, carga e invisibilidade, enquanto os custos sociais e econômicos retornam para a comunidade de origem destas mulheres migrantes.</p>
<p style="text-align: justify;">A incapacidade de resolver a crise corrente de assistência social nos países ocidentais, o resultado combinado da incorporação massiva de mulheres no mercado de trabalho, o envelhecimento da população, e a resposta inexistente do Estado para estas necessidades, leva a uma massiva importação de trabalho feminino para serviços domésticos e cuidados assistenciais pagos, dos países do Sul Global.</p>
<p style="text-align: justify;">Em oposição a este modelo agrícola neoliberal intensivo e insustentável, que demonstrou completa inabilidade para satisfazer as necessidades alimentares do povo e um completo desrespeito à natureza, e que é especialmente adverso às mulheres, surge o paradigma alternativo da soberania alimentar.</p>
<p style="text-align: justify;">A soberania alimentar trata da recuperação de nossos direitos de determinar o que, como e a fonte do que comemos; que a terra, a água e as sementes estejam nas mãos de pequenos agricultores (homens e mulheres); e a luta contra o monopólio das grandes corporações agro-alimentares.</p>
<p style="text-align: justify;">E é um requisito que esta soberania alimentar seja profundamente feminista e internacionalista, e que sua conquista somente será possível com a igualdade entre homens e mulheres e o acesso livre aos meios de produção, distribuição e consumo de alimentos,  junto com a solidariedade entre os povos, longe dos gritos chauvinistas de “primeiro o nosso”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós devemos reclamar o papel das mulheres na produção agrícola dos alimentos, e reconhecer o papel desempenhado pelas “mulheres do milho”, aquelas que trabalham a terra. Tornar visível o invisível. Promover alianças entre as mulheres rurais e urbanas, do Norte e do Sul. Globalizar a resistência &#8230; feminina.<br />
____________________________________________<br />
<a href="http://esthervivas.wordpress.com/presentacio/" target="_blank">Esther Vivas</a> é ativista política e social dos movimentos a favor da soberania alimentar e consumo crítico. É membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais na Universidade Pompeu Fabra em Barcelona e no Instituto de Governo e Políticas Públicas da Universidade Autônoma de Barcelona. Suas linhas de pesquisa são os movimentos sociais contemporâneos e as práticas alternativas ao modelo dominante de produção, distribuição e consumo.</p>

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		<title>Semana da Mobilidade: A Modernidade Chega à Rodoviária do Plano Piloto</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 01:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberta Sá</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte Público]]></category>

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		<description><![CDATA[Li em algum lugar que a Rodoviária do Plano Piloto seria a única obra arquitetônica de Brasília desenhada inteiramente por Lucio Costa. Não consegui confirmar a informação, mas lendo este artigo, até parece um lugar mágico. Entretanto, é impossível admirar sua obra, em meio a tanta sujeira. Fica no centro do Plano Piloto, é utilizada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li em algum lugar que a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodovi%C3%A1ria_do_Plano_Piloto" target="_blank">Rodoviária do Plano Piloto</a> seria a única obra arquitetônica de Brasília desenhada inteiramente por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcio_Costa" target="_blank">Lucio Costa</a>. Não consegui confirmar a informação, mas lendo <a href="http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.119/3371" target="_blank">este artigo</a>, até parece um lugar mágico. Entretanto, é impossível admirar sua obra, em meio a tanta sujeira.</p>
<p>Fica no centro do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Piloto_de_Bras%C3%ADlia" target="_blank">Plano Piloto</a>, é utilizada por milhares os usuários de transporte coletivo de Brasília diariamente e, do meu ponto de vista, é o lugar menos valorizado e mais feio da cidade.  Escadas rolantes que não funcionam, sem sinalização, cobertura com goteiras e mofo, no banheiro eu nunca entrei &#8230; mas levando em consideração o restante &#8230; uma verdadeira afronta e falta de respeito aos cidadãos que passam por ali todos os dias, e pagam caríssimo pelo transporte.</p>
<p>Mas a modernidade chegou ali. Desde a semana passada, a Rodoviária está repleta de monitores de 40 polegadas. Um para cada plataforma de ônibus, num total de 107, que indicam todas as linhas de ônibus, o trajeto e a plataforma. <a href="http://www.dfagora.com.br/LerNoticia/541/mais-informacoes-na-rodoviaria-do-plano-piloto" target="_blank">Esta reportagem</a> e o vídeo abaixo indicam que  os tais monitores foram “gratuitos” e que o <a href="http://www.gdf.df.gov.br/045/04501001.asp" target="_blank">GDF</a> vai receber 20% da renda líquida arrecadada com os anúncios.</p>
<p>Perguntas que não querem calar:</p>
<ul>
<li>Se o cidadão já está na plataforma certa, onde fica sabendo dos horários dos ônibus?</li>
<li>Porque será que nestes modernos monitores não tem o horário do ônibus correspondente à plataforma?</li>
<li>Será que é porque não existe horário certo, ou porque os ônibus não obedecem os horários?</li>
<li>E os outros 80% da renda liquida dos anúncios, vão prá quem?</li>
</ul>
<p>Para saber mais sobre os monitores, assista a este vídeo:</p>
<p><object width="480" height="360" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="quality" value="high" /><param name="FlashVars" value="midiaId=1611020&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" /><param name="src" value="http://s.videos.globo.com/p2/player.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="flashvars" value="midiaId=1611020&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" /><embed width="480" height="360" type="application/x-shockwave-flash" src="http://s.videos.globo.com/p2/player.swf" allowFullScreen="true" quality="high" FlashVars="midiaId=1611020&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" allowfullscreen="true" flashvars="midiaId=1611020&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=360" /></object></p>

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